História do vinho: Como surgiu e como é feita a bebida mais desejada

Entre uma taça e outra você já parou para pensar sobre a história do vinho, como ele surgiu e se disseminou pelo mundo até se tornar uma bebida cheia de requintes e mistérios?

Se você tem essa curiosidade sobre a origem dos vinhos, e quer conhecer os caminhos da bebida até a produção e as etapas necessárias para elaborá-lo está no lugar certo. Vamos lá?

Como o vinho foi criado

Sob o viés histórico do vinho, é difícil precisar o momento certo da origem do vinho. É fato que ele tenha surgido antes da escrita — é por isso que não existem registros precisos a respeito disso. Uma curiosidade: alguns enólogos acreditam na teoria de que o vinho surgiu por acaso: alguém pode ter esquecido algumas uvas amassadas dentro de um recipiente e, então, elas passaram por um processo de fermentação que ocorreu espontaneamente.

Por outro lado, culturalmente existem diversas explicações para o surgimento do vinho. Para os cristãos, foi Noé quem plantou um vinhedo e elaborou o primeiro vinho. Já os gregos acreditavam que o líquido era uma dádiva fornecida pelos deuses. Cada povo adaptou a história com base em suas crenças.

Porém, o que se sabe é que o cultivo de videiras para a produção do vinho (e de outros alimentos) só foi possível quando os nômades deixaram de se deslocar e se estabeleceram em terras fixas. Os gregos, egípcios e os romanos foram os maiores disseminadores da vinicultura. Por isso vamos começar essa jornada com os precursores dessa história do vinho.

O vinho no Egito

Há registros de pinturas que detalham a produção e o consumo de vinho, bastante utilizado em rituais e celebrações. Elas têm aproximadamente 5 mil anos (foram datados como sendo de 3.000 a.C.).

Com o crescimento desse consumo, o comércio passou a se expandir interna e externamente. Depois de certo tempo, eles passaram a ser exportados para outras regiões (África Central, Europa e Ásia). Posteriormente, por volta do ano 2.000 a.C., chegou à Grécia, onde passou a ser cultivado, tendo grande relevância para a cultura e economia da região.

O vinho na Grécia

Os gregos, do ano 1.000 a.C. em diante, passaram a cultivar videiras em outras regiões na Europa (na Itália, por exemplo) e no ano de 700 a.C. fundaram a cidade de Marselha (onde hoje é a França).

Naquela época, o sabor era bem diferente do que conhecemos hoje e era comum que o vinho fosse misturado com água, ervas, especiarias e mel.

O vinho em Roma

Já os romanos, quando estavam em plena expansão de território, levavam o vinho para todos as terras que conquistavam. Nos seus costumes, as uvas eram colhidas tardiamente ou colocadas ao sol para aumentar a concentração de açúcar no processo de secagem (uma técnica milenar chamada de passificação), para que o vinho tivesse uma característica doce.

Eles armazenavam a bebida em barris de madeira, tornando o sabor mais aprimorado — diferentemente dos Gregos, que a guardava em ânforas (vasos de barro cozido, com duas alças).

A ascensão do vinho francês

Na Era Medieval, iniciada após a queda de Roma, o costume de apreciar o vinho já era bem disseminado e fazia parte de banquetes e festas, além de ser muito servido em tabernas. Foi mais ou menos nesse período que a França começou a investir na elaboração da bebida e se estabelecer como um dos maiores e mais tradicionais produtores de vinhos que conhecemos atualmente.

A disseminação do vinho fora do Velho Mundo

Os principais responsáveis por trazer o vinho para a América foram os missionários católicos, que o utilizavam durante o rito da eucaristia. Na África do Sul, foram os holandeses que colonizaram a região que deram origem ao cultivo vitivinícola.

Do continente africano, as mudas foram levadas para a Nova Zelândia e Austrália (países considerados novíssimo mundo) entre o final do século XVIII e início do século XIX. Os vinhos dessas três regiões só passaram a ser apreciados internacionalmente em um período mais recente — apesar de terem a qualidade atestada.

Etapas do processamento do vinho

Agora que você já sabe um pouco mais sobre a história do vinho, vamos contar um pouco sobre o processo de vinificação, desde o cultivo adequado das uvas viníferas até a produção e o armazenamento.

Tudo se inicia com o chamado Terroir: a combinação entre as características do solo, os métodos para cultivo e as condições climáticas de determinada região que influenciam diretamente no cultivo da uva e, consequentemente, na identidade de um vinho.

Parece óbvio para algumas pessoas falar sobre isso, mas vale ressaltar que os processos de colheita da uva têm grande influência sobre a qualidade do vinho. Se não forem colhidas no momento ideal, podem resultar em uma bebida com baixo teor alcóolico e mais aguada (cedo demais) ou com pouca acidez e alto teor alcóolico (tardiamente).

Depois da colheita, vem a fase de maceração, que consiste em amassar e processar as uvas. Enquanto ela ocorre, também acontece a primeira fermentação. Nessa fase, é fundamental manter um controle rigoroso de temperatura, do tempo de duração do processo, do contato com o ar, da oxigenação, entre outras coisas. Aqui, o açúcar da fruta se converte em álcool.

Porém, existe uma diferenciação entre as etapas no que diz respeito ao tipo de vinho. Só para exemplificar melhor, enquanto o vinho tinto demanda o processamento das uvas com a pele, o branco já exige que isso não aconteça, devido às suas particularidades.

Essa guarda e fermentação pode durar até uma semana e posteriormente pode ocorrer uma segunda fermentação, a qual tem o objetivo de reduzir a acidez da bebida (de forma controlada) — e pode durar até sete semanas.

Feito isso, chega-se à fase final do processo de produção do vinho. Ela é chamada de maturação e acontece de forma gradual e pode passar (ou não) por uma fase de descanso em barris por um período. As características finais da bebida dependem da vinícola, do enólogo e até mesmo do tipo de vinho que se deseja obter.

É claro que os processos de produção são mais complexos e contam com outras etapas. Porém, elas dependem das particularidades de cada produtor. No geral, é assim que a elaboração acontece.

Principais regiões vitivinícolas (Velho Mundo e Novo Mundo)

A seguir, vamos mostrar as principais regiões produtoras de vinho no mundo. Assim, quem sabe você não começa a planejar o destino de sua próxima viagem de enoturismo?

•          França: Bordeaux, Borgonha e Champagne;

•          Itália: Piemonte e Toscana;

•          Espanha: Rioja, Penedez e Ribera del Duero;

•          Portugal: Douro, Dão e Alentejo;

•          Estados Unidos: Califórnia;

•          Argentina: Mendoza;

•          Chile: Vales de Colchagua e Vale Maipo.

Gostou de conhecer um pouco mais sobre a história do vinho e o processo de produção da bebida? Agora você já sabe um pouco mais sobre os caminhos por quais ele passa antes que ele chegue até a sua taça, não é mesmo?

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