Como os diferentes tipos de solos influenciam a produção de vinhos

Em seu sentido literal solo pode ser compreendido como “camada superficial da crosta terrestre, composto por material de decomposição de rochas e matéria orgânica”.  Nas vinhas, onde a videira é cultivada e frutifica, o tipo de solo tem grande influência nos vinhos.

Além da nutrição e da sustentação, o tipo de solo também exerce o papel de absorver a luz e o calor do sol para dar energia à videira. Agindo em conjunto com outros fatores como o clima, água, luz, variedade de cepas, intervenção humana, cultura e terroir, o solo é um dos principais elementos do processo. Por outro lado pode ser o vilão da história se for abrigo de pragas.

Afetados por fenômenos naturais e intervenções humanas, os solos vão sofrendo alterações importantes para que possamos compreender as nuances e particularidade de cada vinho degustado. A partir de toda sua relevância é sobre os tipos de solos para uvas que falaremos aqui e sua influência no terroir.

Então, continue lendo e confira mais sobre esse fator e sua influência nas videiras!

Os diferentes tipos de solos para uva

Todos os fatores presentes em determinado tipo de solo vão presentear as uvas com certas características e propriedade que serão repassadas aos vinhos. Confira abaixo os principais tipos de solos para uva.

1.      Argilo-Calcário

Tem como aspecto marcante a alta capacidade de retenção e drenagem de água, graças ao componente calcário. Neste tipo de solo também é encontrado certo frescor característico do componente argiloso. Essa combinação carrega grande quantidade de nutrientes advindo de matéria orgânica, e também de minerais como o abundante quartzo e zircão. Algumas das regiões onde podemos encontrar esse tipo de solo para uva são: Champagne, Borgonha, Bordeaux, Toscana, dentre outras. Graças aos fatores citados que definem o solo Argilo-Calcário os vinhos produzidos ganham grande qualidade e caráter singular, sendo mais limpos e refinados.

2.      Arenoso

Como grande marca o solo arenoso possui potencial de drenagem e retenção de calor, além de considerável resistência a pragas. O que contribui para o cultivo de uvas que dão origem a vinhos mais concentrados. Esses podem ser encontrados em regiões como Piemonte, na Itália, e Mendoza, na Argentina.

3.      Calcário

Diferente dos tipos de solos para uva citados anteriormente, o solo calcário possui alto teor de carbonato de cálcio, que é o que o define em essência, e baixa presença de matéria orgânica. Características que proporcionam refinamento, alta acidez e certo frescor aos vinhos produzidos com uvas cultivadas neste tipo de solo. Regiões da França como Loire, Bourgogne e Champagne apresentam solos calcários, e também já foi encontrado na Califórnia (EUA).

4.      Rochoso

Assim como os solos Argilo-Calcário e Arenoso, o tipo de solo para uva denominado rochoso também possui excelente capacidade de retenção, seja de água e também de calor. A boa infiltração da umidade ocorre por meio de suas camadas, que também permitem que as videiras se enraízem e busquem nutrientes.

A partir de suas propriedades e do cultivo, as uvas vindas desse tipo de solo produzem vinhos mais encorpados e fortes. Podemos encontrar esse tipo de solo em regiões como Douro, em Portugal, vale do Mosel, na Alemanha, Graves e Rhône, na França.

Além desses, que são os principais, ainda podemos citar como solo para produção de vinhos o aluvial, vulcânico, cascalho, sílex, terra rossa, dentre outros. Esses também emprestam aspectos específicos para cada videira e vinho produzido naquele local.

Tipos de solo e a relação com o Terroir

De origem francesa, a palavra terroir significa “solo”, em tradução literal. No entanto, tem uma conotação que vai muito além disso. Trata-se de um conceito que envolve regiões específicas que produzem vinhos exclusivos e icônicos, cujos resultados só foram possíveis graças a fatores geográficos, climáticos, históricos e culturais. Tudo isso concentrado na região.

O terroir está entre os maiores influenciadores na qualidade das uvas e do vinho. Como citamos, o solo tem um papel fundamental nas características que o vinho irá adquirir durante sua produção. Porém, não é o único fator determinante.

No momento em que se define o local de cultivo das uvas, todos os aspectos daquela região serão influenciadores do resultado final. Até mesmo as tradições humanas impactam no terroir e no sabor do vinho.

Tudo começa pelo solo e seus atributos únicos, daí destacamos os tipos citados anteriormente e como cada aspecto que os definem vão se correlacionar com as complexidades do terroir.

Para ilustrar a influência do terroir na definição do caráter de um vinho sem levar em conta as especificidades das técnicas de vinificação, variações climáticas ou qualidade da safra, podemos imaginar as perceptíveis diferenças de intensidade de aromas e sabores quando se compara um vinho elaborado com Cabernet Sauvignon produzido em Bordeaux com um Cabernet Sauvignon da Califórnia. Por isso, muitos especialistas afirmam que a definição de terroir fica muito clara quando comparamos vinhos do Velho Mundo com vinhos do Novo Mundo.

Se o solo possui maior ou menor permeabilidade, o que predomina em sua composição química, quais suas características físicas, grau de fertilidade entre outros pontos,  são aspectos que irão refletir na qualidade dos frutos e do caráter ímpar de cada vinho.

Por exemplo, se observarmos um solo muito rico em conteúdo orgânico e mineral essa composição vai beneficiar muito o crescimento das folhas, e consequentemente gera frutos tidos como empobrecidos. Logo, entende-se que seja melhor solos menos férteis.

Além da importância da composição química, a estrutura do solo também vai influenciar no processo de forma a permitir uma boa drenagem. Assim, terrenos muito planos podem dificultar a boa drenagem do solo. Já a umidade em excesso tende a provocar danos com fungos nas folhas e nas uvas.

Igualmente importante destacar é que que além dessas características físicas e químicas do solo, clima e natureza, a intervenção humana também exerce papel determinante na produção de rótulos de qualidade. Isso vale até para regiões improváveis na cena vitivinícola. Isso se deve às técnicas de irrigação, aprimoramento dos porta-enxertos, seleções clonais das castas de melhor qualidade, somado a uma série de técnicas de viticultura que tem produzido vinhas em locais sem tradição de terroir.

Agora que ficou bem mais claro o papel do solo no sabor, aromas, corpo, acidez e demais particularidades dos vinhos que você tanto ama degustar, confira os exemplares produzidos a partir das melhores videiras do mundo no catálogo da Via Vini!