Screw cap ou rolha de cortiça? Saiba as diferenças de cada tipo de rolha

Screw cap ou rolha de cortiça? Saiba as diferenças de cada tipo de rolha 

Na hora de decidir pela compra do vinho desejado é comum muitos enófilos analisarem a qualidade da garrafa em função do tipo de rolha utilizado na vinícola: se cortiça ou screw cap, por exemplo.

Não à toa existem diferentes opiniões e mitos sobre o assunto. Entre eles, a ideia de que vinhos vedados com screwcap, ou outras tampas de rosca, não têm a mesma qualidade diante dos vinhos fechados com rolha de cortiça.

A rolha de cortiça natural tem mais de 400 anos de tradição, enquanto que a screw cap teve início nos anos 1960. Enquanto a primeira foi amplamente testada para diversas situações, a segunda é mais recente, por isso gera dúvidas.

Mas antes de apresentarmos as diferenças e vantagens dos tipos de rolhas de vinho mais comuns, é importante destacar que produtores no mundo todo decidem o vedante da garrafa na vinha, principalmente, a partir de questões técnicas, exigências de mercado, especialmente os custos de produção.

Sobre a precificação do produto, outros fatores também costumam ser levados em consideração como a espessura da garrafa, o papel do rótulo, o tipo da uva, a qualidade da colheita, e o tempo de amadurecimento do vinho.

 

Qual o melhor vedante para vinho?

Antes de tudo a rolha tem a função primária de vedar a garrafa para proteger o vinho, portanto não deve interferir no sabor, textura ou aroma.

Mesmo assim, existe alguma situação especial para cada tipo de rolha?

Para um rótulo que sai da vinha pronto para o consumo – aproximadamente 5 anos de safra – não tem problema que seja com screw cap. Esse vedante proporciona um fechamento hermético com o objetivo de bloquear a evolução oxidativa do vinho.

Mas se o objetivo for degustar um vinho de guarda e permitir a sua evolução, a recomendação é fechar a garrafa com rolha natural. Isso porque a cortiça permite a micro-oxigenação. Isso quer dizer que esse pequeno contato com oxigênio potencializa o amadurecimento e envelhecimento saudável da bebida. Esse efeito natural ganha força quando a garrafa é armazenada deitada.

Enquanto que o screw cap representa uma espécie de redoma, a rolha de cortiça diz respeito à transformação dos vinhos longevos. Além desses dois vedantes mais usados, enólogos também costumam utilizar rolha sintética ou rolha de vidro (vino-lok), a depender da região e condições de mercado. 

Para entender cientificamente a interferência que esses tipos mais comuns de vedantes provocam na qualidade do vinho, pesquisadores apresentaram estudos sobre eventuais diferenças de permeabilidade da rolha ao oxigênio atmosférico.

Ficou constatado que as rolhas de cortiça natural apresentam uma evolução equilibrada. Screw cap oferece menores taxas de entrada de oxigênio, deixando a evolução da bebida mais lenta. E as tampas sintéticas favorecem maiores taxas de entrada de ar, como consequência provocam oxidação prematura.

Enólogos explicam que na cortiça o oxigênio se movimenta do interior da rolha para o vinho. Isso ocorre porque a cortiça pode abrigar em sua composição, até 90% do seu volume, um gás semelhante ao ar. Esse movimento favorece a evolução dos vinhos de guarda, por exemplo. Já em um vedante sintético o ar se desloca de fora da garrafa para dentro do vinho. E as rolhas metálicas de screw cap naturalmente bloqueiam essa migração de oxigênio.

 

Rolhas de cortiça 

As rolhas de cortiça são produtos naturais e biodegradáveis. A esmagadora maioria dos vedantes de cortiça é produzida a partir da casca de sobreiro, uma árvore típica do Sul da Europa, principalmente encontrada em Portugal, oriunda da família dos carvalhos.

O processo é controlado. A retirada da cortiça, que dá origem a diversos outros produtos, pode ser feita a cada nove anos, durante esse período nenhuma árvore pode ser cortada. O sobreiro precisa alcançar 25 anos de idade para ser descortiçado pela primeira vez. Durante seu ciclo de vida (cerca de 200 anos), pode ser descortiçado aproximadamente 17 vezes, respeitando-se o período de intervalo a cada nove anos.

Especialistas consideram que somente a partir do terceiro descortiçamento é possível se produzir cortiças com a devida qualidade para produção de rolhas para vinhos. Isso devido ao fato de o sobreiro ser uma árvore com a característica peculiar de sua casca se autorregenerar e adquirir textura mais lisa em cada extração.

Como as rolhas naturais são mais antigas existem algumas variações de produtos derivados da cortiça.

 

Rolhas maciças

São produzidas exclusivamente com o material extraído da casca do sobreiro, em formatos cilíndricos. Por isso, estão entre as mais desejadas. Um dos atributos é que o material permite a compressão da rosca até a entrada completa no gargalo da garrafa. No interior, elas sem expandem para cumprir a função primária de vedar e proteger o vinho, especialmente com a missão de ajudarem na evolução dos vinhos de guarda. 

 

Rolhas aglomeradas

Esse tipo de tampa é feito a partir das sobras da casca de sobreiro que deram origem às rolhas maciças. Os produtores reaproveitam os remanescentes para processar e aglomerar o material com cola em formato cilíndrico. Considera-se menos resistentes, no entanto, igualmente funcionais para proteger a bebida a ser consumida em menos tempo.

 

Rolhas técnicas

Com o objetivo de otimizar recursos e melhorar o custo-benefício, o mercado também criou as chamadas rolhas técnicas. Trata-se de um produto oriundo das sobras da maciça e das aglomeradas. É produzida a partir da estrutura da aglomerada, combinando com a base da rolha maciça. 

 

Vedantes sintéticos

As rolhas sintéticas começaram a ser comercializadas na década de 1990 como resposta à demanda do mercado por soluções mais econômicas diante das rolhas de cortiça.

Outro motivo que explica a sua popularização é a necessidade dos produtores de prevenir a contaminação pelo TCA (Tricloroanisole), substâncias geradas pela interação com fungos, podendo causar a desagradável experiência de degustar um “vinho rolhado ou vinho bouchonné”, também conhecido como vinho com gosto de rolha.

O problema é que se muito apertada, a rolha sintética pode bloquear a entrada de níveis desejados de oxigênio. Por outro lado, se estiver muito larga vai expor o vinho de forma exacerbada ao oxigênio.

 

Screw cap

Possivelmente você já deve ter conversado com algum enófilo que torce o nariz para vinhos vedados com screw cap (tampas de rosquear), porque ainda consideram, no geral, vinhos de menor qualidade.

Mas o fato é que esse vedante, ideal para rótulos de consumo rápido, é largamente utilizado em garrafas produzidas em vinhas do Novo Mundo. Há quase cinquenta anos, os vinhos australianos são vedados com screw cap, e a maioria das garrafas produzidas na Nova Zelândia é tampada com essa rosca metálica.

Entre as vantagens, especialistas destacam que screw cap separa mais o ar do vinho e, consequentemente, preserva melhor seus aromas e sabores. Ao contrário dos vinhos de guarda, vinhos mais jovens não devem ser guardados, portanto não é necessário o contato da bebida com o ar. Além de funcionarem como ótimos vedantes, as rolhas de screw cap facilitam a abertura da garrafa e são recicláveis.

 

Agora que você já sabe as diferenças e vantagens dos principais tipos de rolhas para vinhos, que tal escolher uma garrafa especial do catálogo da Via Vini? Seja de cortiça ou screw cap, oferecemos vinhos de alto nível para todas as ocasiões.

 

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