Quem é Robert Parker? Saiba como ele mudou o mercado de vinhos

Quem é Robert Parker? Saiba como ele mudou o mercado de vinhos

Se você busca respostas para saber quem é Robert M. Parker Jr., possivelmente já ouviu alguém dizer que o “advogado do vinho” é considerado o crítico mais influente do mundo, certo?

As notas atribuídas aos vinhos por Robert Parker e sua equipe, baseadas em um conceituado sistema próprio de avaliação, podem exaltar um vinho ou rebaixá-lo, ao ponto de afetar diretamente padrões de consumo e o posicionamento do produto no mercado global.

Mas como o polêmico norte-americano Bob Parker virou unanimidade no mundo dos vinhos, e qual a sua influência atual na comercialização e nos padrões de consumo?

Para entender como Parker se tornou “o imperador do vinho” é preciso conhecer a sua história com as vinícolas no Velho Mundo, que teve início em 1967.

 

A jornada de Robert Parker no mercado de vinhos

Aos 20 anos, o então estudante de direito viajou dos Estados Unidos para o leste da França para encontrar a namorada (Pat Parker, atual esposa) que participava de um intercâmbio na Universidade de Strasbourg.

Durante imersão na culinária francesa com sua então namorada, Parker degustou uma seleção de vinhos franceses, cujo contato com vinhos do Velho Mundo aguçou seu paladar para uma experiência inédita. Ele mesmo conta que até aquele momento na juventude só guardava na memória experiências “frustrantes” com vinhos, nos Estados Unidos.

Foi nessa viagem à França que descobriu sua capacidade peculiar de degustar vinhos com paladar apuradíssimo e uma incrível memória gustativa. Habilidades que levou na bagagem de volta à Baltimore (EUA) onde nasceu em 23 de julho de 1947, tornando-se consumidor assíduo de vinhos.

Robert Parker se formou em Direito, História e História Arte, em 1973, pela Universidade de Maryland. Exerceu a advocacia por mais de dez anos. Ao mesmo tempo mergulhou na enologia com estudos aprofundados de autores conhecidos.

Constatou que a maioria das publicações trazia informações sobre produção, vinhas e produtores, no entanto, não oferecia qualidade técnica sobre os vinhos, para ajudar os consumidores a tomarem decisão. 

 

The Wine Advocate 

Em 1984 decidiu trocar a promissora carreira de advogado para se ocupar, exclusivamente, da produção de artigos sobre vinhos. Uma tarefa secundária que começou a exercer em 1978 ao fundar a The Wine Advocate (O Advogado do Vinho). Era a primeira edição da sua célebre newsletter de crítica de vinho, naquela época batizada de Baltimore/Washington Advocate, que nasceu graças a um empréstimo de dois mil dólares da mãe.

Amigos e familiares tentaram demovê-lo da ideia de abandonar a carreira jurídica, mas Parker insistiu em sua nova atividade profissional.

“Meu entusiasmo pelo vinho logo se tornaria uma paixão e, em alguns aspectos, uma obsessão. Em 1982, minha esposa e eu decidimos que eu poderia deixar a prática da lei e dedicar todas as minhas energias ao The Wine Advocate quando eu tivesse 10 mil inscritos. Isso não ocorreu até março de 1984, após o que viria a ser o grande evento de vinho da minha carreira, a safra 1982 de Bordeaux. Se minha memória é vaga em muitas coisas na vida, tenho a lembrança fotográfica total de um sábio idiota quando se trata de lembrar coisas sobre o vinho. Os anos 1982 e os eventos que ocorreram depois da colheita estão indelevelmente gravados em minha memória”, relata o crítico ao lembrar de dois episódios marcantes de sua jornada em depoimento publicado na Wine Advocate.

 

Robert Parker e a polêmica safra Bordeaux 1982

O ex-advogado ganhava aos poucos popularidade entre os enófilos norte-americanos com suas avaliações independentes, enquanto sua publicação crescia com novos assinantes, mas ainda sem muita expressividade.

A fama veio com a crítica da safra de Bordeaux 1982 publicada na newsletter de abril de 1983.  Robert Parker seguiu na contramão dos críticos de vinho norte-americanos mais populares da época: Robert Finigan e Terry Robards, que não viram muito valor nos vinhos dessa safra, embora na Europa já se ouvia falar muito bem.

Vinhos do Velho Mundo ainda não encontravam espaço nas mesas dos americanos. Bob Parker detectou qualidades na safra Bordeaux 1982 e abriu um nicho promissor ao atribuir notoriedade a essa safra no mercado americano.

Outro ponto importante é que essa colheita exaltou as qualidades de Bordeaux após a região sofrer com seguidas safras frágeis. Isso fez com que os produtores voltassem a registrar lucro para reinvestir na modernização das vinhas.  Robert Parker é lembrado como alguém que recolocou esse clássico vinho francês em evidência no mercado global a partir da safra de1982.

 

O famoso sistema de pontuação de vinhos Robert Parker  

“Um vinho é bom ou ruim de acordo com o gosto de quem toma”.

Essa foi a resposta do crítico ao ser perguntado sobre a influência que a The Wine Advocate  exerce sobre os consumidores, em entrevista publicada numa revista de grande circulação no Brasil.

Embora o famoso crítico não admita publicamente, o sistema de pontuação de vinhos Robert Parker afeta diretamente padrões de consumo, produção e precificação de vinhos no mundo todo.

O sistema Parker classifica os vinhos em seis grupos com notas de 50 a 100 pontos. Na prática funciona assim:

  • 96 a 100: vinho extraordinário.
  • 90 a 95: notável.
  • 80 a 89: acima da média a excelente.
  • 70 a 79: mediano.
  • 60 a 69: abaixo da média.
  • 50 a 59: terrível.

As garrafas começam a ser pontuadas com 50 pontos. A nota aumenta gradativamente à medida que algumas qualidades, segundo o método Parker, ganham destaque: cor e aparência como um todo atribuem até 5 pontos; aroma ou buquê valem até 15 pontos; o sabor e o retrogosto da bebida valem até 20 pontos; a qualidade geral e potencial de vinho de guarda somam até 10 pontos.

Existem outros métodos de pontuação de vinhos que também são igualmente considerados por muitos críticos e enófilos na hora de decidirem pela melhor aquisição. Mas o sistema de pontuação de Bob Parker ainda é considerado o mais importante no mercado.

 

Da fama à polêmica 

Ao ganhar notoriedade, Robert Parker também virou alvo de críticos que atribuem a ele algumas consequências negativas no mercado de vinhos em função do seu sistema de pontuação.

Inclusive produtores são questionados por supostamente produzirem vinhos mais compatíveis com o paladar de Bob Parker, o que teria provocado uma produção em massa de vinhos com sabor similar, apenas para receberem boa avaliação do crítico. 

O prestigiado boletim bimestral criado por Parker (The Wine Advocate) é assinado atualmente por mais de 45.000 leitores nos Estados Unidos e em mais 37 países. Inegavelmente exerce influência significativa sobre os hábitos e tendências de compra de vinhos dos consumidores.

No começo, sabe-se que Bob Parker degustava cerca de 10 mil vinhos diferentes por ano, conforme ele mesmo relatou em entrevista ao jornal The Independent.  Com o crescimento de anunciantes, trouxe para sua publicação novos avaliadores.

Em 2016, aos 69 anos, Robert Parker passou a tarefa de avaliar novos vinhos Bordeaux para o colega, Neal Martin, especialista da The Wine Advocate.  Na sequência, anunciou a venda da publicação e website para investidores japoneses.

“Aposentadoria é uma fórmula para a morte prematura. Embora eu tenha recentemente feito uma cirurgia nas costas e tenha usado bengalas para me locomover, eu vendi a maior parte do The Wine Advocate e entreguei a degustação dos Bordeaux en-primeurs [jovens vinho ainda no barril] para um colega, mas não tenho planos de me aposentar. Eu encontrei esse pequeno nicho e nunca perdi a paixão”, afirmou o imperador do vinho em entrevista ao site da revista inglesa The Drinks Business, concedida um ano antes de vender a The Wine Advocate. 

Agora que você conheceu um pouco mais sobre o lendário Robert Parker, o que acha de avaliar por conta própria os vinhos pontuados do catálogo da Via Vini?

 

SIM, QUERO COMPRAR VINHOS PONTUADOS